Tuesday, December 30, 2014

O Despertar: the Somatic Experience.

The Somatic Experience

The greatest experience that I had one day in life, a huge fight between me and myself, where I completely won and discovered a new life. After talking to my friend Tiago, I decided to call it “THE SOMATIC EXPERIENCE”.




A experiência que vos relato hoje, é fruto de um caminho tortuoso pela vida, talvez ao longo de 10 anos, entre depressões e pseudodramas próprios de quem vive ansiosa com o futuro e presa ao passado e, consequentemente aérea do presente, do aqui e agora, único momento em que realmente podemos agir e mudar o que quer que seja na vida.

Eu diria que tive uma infância feliz, vivi uma juventude fantástica, cheia de experiências e de um grande crescimento espiritual. Aos 18 anos fazia coisas que alguns anseiam e descobrem aos 40 e aos 50. Tive experiências arrebatadoras, momentos inesquecíveis com pessoas memoráveis. Fui muitas vezes o centro do mundo, com altas performances, amiga “insubstituível”, namorei bastante, fiz amigos por todo o lado, viajava por países longínquos, sempre com uma ânsia desmesurada, como se amanhã não houvesse. Tirando algumas fases melancólicas fruto de paixões assolapadas, apanágios de mim, não me recordo de ser derrotista ou depressiva. O tempo passou, casei, perdi a minha mãe, vieram os filhos e de repente, de tempos a tempos via-me mergulhada em momentos de profunda tristeza e desinteresse pelo ambiente que me rodeava e pela vida em si. Os desencontros e crises próprias da vida amorosa, com paixões e estados de paixão, serviam de justificativa para esse estado de alma. Foram-se juntando vários desassossegos, e para não imergir, agarrava-me a possibilidades de vidas que não eram minhas, ancoradas em nada; sem luz no túnel não tinha discernimento para ver o fosso em que me metia. 



Até que um dia, no meio de um turbilhão de acontecimentos, há um telefonema que me empurra para a confrontação comigo própria, onde eu e o meu pseudo-eu nos defrontámos num combate brutal. Eu estava no quarto e ouvia vozes vindas da sala, mas mais alto eram as vozes na minha cabeça que repetiam palavras duras, “remakes” de histórias vividas. Caí na cama com a sensação de ser sugada por um buraco negro, sem forças para lutar, alheia do meu corpo. A mente descarregava no corpo a pressão acumulada durante anos: músculos tensos, coração gelado, cérebro alucinantemente ativo com snapshots da minha vida, adrenalina por todo o corpo,  senti a cabeça dormente, um formigueiro incontrolável como se estivesse dentro de uma máquina vibratória, senti-me a enlouquecer e nesse momento sem dúvida que tive medo, muito medo, um medo aterrador que nunca tinha sentido. Medo por estar fora de controlo, medo de ter um esgotamento, de enlouquecer, ou de me dar um estoiro na cabeça e nunca mais voltar a ser gente. Senti que bati no fundo.



Foi aí que supliquei com toda a fé e convicção de quem vê Deus à sua frente, “Meu Deus, ajuda-me! Eu não quero enlouquecer!” E no segundo a seguir, por milagre, senti a presença de um Ser maior que eu, uma paz nunca antes experimentada invadiu o quarto, ao mesmo tempo que me rendia e deixava de lutar. “Descansa, não lutes mais”. E tudo ficou tranquilo. Não havia som algum, o mundo tinha parado, e eu rendida, anestesiada, sem forças, sorria ainda de olhos fechados. Precisava de descansar.





Dormi toda a noite alienada do ambiente que me rodeava. O dia seguinte amanheceu belo, o sol entrava pelo quarto que por alguma razão não tinha os estores para baixo, levantei-me e olhando para o lado beijei o meu marido só por estar ali, meu companheiro. Fui ao quarto das crianças que dormiam como anjos,  beijei aquelas lindas criaturas e senti-as como uma continuidade de mim mesma, agradecida por aquelas duas bênçãos. Vagueei pela casa observando cada espaço, cada quadro, recordei a razão porque escolhi cada peça, sentindo-me agradecida pelo meu lar. Orei e agradeci a Deus pelo milagre feito em mim, pela descoberta. Fui à janela e a rua estava silenciosa, ouviam-se apenas pássaros a cantar e eu maravilhada com a descoberta da beleza que nos rodeia, do mundo e dos seres para além de nós, do maravilhoso dom da vida, Renasci. A partir daí passei a viver a vida e dar graças pelo fôlego de cada dia, por cada momento de inspiração-expiração. A minha rendição e aceitação pessoal foi o início de um caminho de descoberta de mim própria, rumo a um ser melhor, a uma melhor pessoa, alinhada consigo mesma.




Passados 5 anos e após ler lido vários livros,
teses de mestrado e doutoramento na área da psicologia, filosofia, espiritualidade, ciências comportamentais, de ter passado pela psicoterapia e não ter parado de procurar incessantemente o equilíbrio pessoal, li um artigo sobre Life Coaching e apaixonei-me pela profissão. Senti-me arrebatada ao ler a experiência de Eckhart Tolle, semelhante à minha. Fiz um curso de Coaching e descobri a minha missão de vida, criei o meu próprio sistema de referências e procuro viver de acordo com os valores que são meus. Descobri quem era, aceito quem eu sou, procuro aceitar os outros, e tenho um caminho a percorrer com planos e objetivos traçados, fazendo coisas que dão sentido à minha vida sigo a minha visão, para que um dia olhando para trás possa ver um percurso traçado com sentido. 
Fiz as pazes com o passado, procuro planear o futuro mas sei que não tenho controlo sobre ele. Tive a sorte de encontrar duas pessoas fabulosas que me apoiaram neste caminho de descoberta e porque o fizeram de graça, eu também dou de graça àqueles que se cruzam no meu caminho, e com grande satisfação já potenciei a transformação de outros. E isto sim, tem sentido para mim. 



Eu sei que a caminhada é uma linha contínua sem fim à vista, com curvas às vezes, mas hoje eu vivo o presente, aproveito os momentos bons e aprendo com os momentos maus, aprendi que tudo tem um propósito e que sem dor, não há crescimento. 


Vale a pena olharem para vós próprios e viverem de acordo com aquilo que querem ser. Neste novo ano lanço o desafio de se colocarem a pergunta: o que faria se tivesse apenas 1 ano de vida pela frente? e se fosse 1 mês? e se fosse 1 semana? e se fosse 1 dia? Este exercício revela-nos aquilo que realmente importa na nossa vida.

Feliz ano novo, façam-no cheio de planos para o vosso sucesso pessoal!

Andreia Pitta Groz

Friday, October 3, 2014

Coaching e o Sentido da Vida

Tipicamente, é entre os 35 e os 45 anos que o ser humano enfrenta um desafio biológico sobre a sua identidade, podendo surgir questões como “Quem sou eu?”, e “O que estou aqui a fazer?”. À volta disto surgem dúvidas sobre o casamento, a família, o caminho profissional que traçou e até mesmo os amigos que tem. No fundo o que procuramos é o Sentido da Vida.


A nossa idade biológica muitas vezes não está alinhada com a nossa visão da vida pelo que estas crises de identidade que nada têm de surpreendente, podem ocorrer em qualquer idade despoletadas por alguma mudança no modo de vida anterior. As pessoas esperam da vida algo que não conseguem realizar sentindo-se insatisfeitas e desiludidas ao ponto de entrarem em depressão. 

No campo profissional muitos se deparam com desafios e ofertas desajustadas no tempo face ao que desejam: “Há 20 anos atrás esta promoção teria sido excelente para mim. Mas hoje não”. Todavia, quantos temos coragem para rejeitar um emprego bem remunerado, ainda que não nos preencha? A aceitação de compromissos que nada têm a ver com a nossa essência transforma o trabalho num fardo cada vez mais difícil de suportar. É preciso parar e refletir sobre o caminho que traçámos e onde queremos ir daí para a frente.

É na fase adulta que o ser humano sente necessidade de fazer uma reflexão interior sobre o seu propósito e missão de vida, de encontrar os seus valores e a sua essência. Só isso nos permite tomar decisões mais conscientes, agindo convictamente sobre os passos que queremos dar, motivados de dentro para fora, alheios ao que nos é imposto pelos outros. Esta alteração de paradigma requer uma grande disciplina e implica algumas mudanças que a nossa própria natureza humana tende sistematicamente a adiar ou boicotar. É neste contexto que o coaching é transformador.

O Processo de Coaching

O Coaching é um processo no qual o cliente procura um profissional [o Coach] para o auxiliar no desenvolvimento do otimismo e resiliência necessária para alcançar metas e prosperar. É uma ferramenta usada por executivos e outros que querem ter cada vez melhor desempenho na vida pessoal e profissional. O processo de coaching pode ser trabalhado em várias vertentes, compreendendo dois passos fundamentais:
1.       FOCO e MOTIVAÇÃO no objetivo

2.       AÇÃO orientada aos RESULTADOS




Sentido de Missão
Numa perspetiva de procurarmos a nossa missão, o processo de coaching ajuda o individuo a identificar o que é importante para si: a sua missão, visão e valores. Após a convicção do caminho que quer tomar, ciente da sua missão, o Coach apoia o individuo na definição de um plano para a prossecução dos seus objetivos usando estratégias e instrumentos que contrariem a inércia de natureza humana, trabalhando a motivação no longo prazo. São planeados pequenos passos para se alcançarem grandes objetivos.

Dinheiro
Os problemas financeiros e a necessidade de cobrir despesas são muitas vezes impeditivo para se puder perseguir uma missão que pode passar por uma mudança profissional. A este nível, no processo de coaching é necessário o individuo fazer uma análise de onde quer chegar e o caminho a seguir até lá, identificando o impacto da mudança na sua vida atual. Para que resulte, é importante que o sentido de missão pessoal esteja claro para o individuo, pois esta abordagem vai exigir alguns compromissos para cumprir metas, podendo por vezes ter que abdicar do padrão de vida anterior para conseguir atingir o estado desejado. Os custos atuais precisam de ser avaliados e reduzidos para se alterar o paradigma atual, onde se troca mais tempo por menos dinheiro, cumprindo assim o plano de chegar onde se quer. Se o dinheiro não for um problema, o indivíduo pode saltar diretamente para onde quer estar, construindo um plano de ações a concretizar.


Tempo
Quando o tempo é o maior entrave para nos dedicarmos à missão da nossa vida é necessário que o individuo faça um levantamento sobre as áreas da vida onde está a despender energia, “roubando-lhe” tempo para as atividades que realmente deseja. Terá aceite demasiadas responsabilidades no trabalho? Ou será que perde demasiado tempo a tentar agradar a toda a gente, esquecendo-se de si? O trabalho da assertividade individual pode revelar-se importante para decidir o que é prioritário face ao que é secundário. O individuo poderá aprender a fazer uma gestão adequada do tempo, usando-o como seu aliado e assim aprender a viver focado no momento Agora.






E AGORA ? Está pronto para refletir ?

Andreia Pitta-Groz

Wednesday, September 25, 2013

Os Ramos do nosso Tronco


Os amigos são um bem essencial para uma vida feliz e equilibrada. Eles são os ramos que brotam do tronco da nossa vida, e a amizade é a flor que produzimos juntos. Não é difícil reconhecê-los. São aqueles a quem procuramos quando precisamos de ajuda, quando nos sentimos em baixo ou quando queremos festejar. Ou simplesmente queremos estar com eles.
A amizade exige tempo e dedicação. Mas conforme as pessoas, a medida do tempo pode ser diferente e a dedicação pode ter distintos significados. Alguns amigos  parecem-nos desprendidos, outros demasiado apelativos. Se isso acontecer pode dar-se o caso de sermos  nós os causadores de uma perceção errada da amizade. Para ser amigo, devemos dar e receber na medida certa do outro. Sem impor ao outro o nosso ritmo. Não é por acaso que procuramos alguns amigos nos momentos de maior angústia, outros nos momentos de maior paz, outros nos momentos de maior felicidade. Há espaço para todos. Convidamos os amigos para passar férias, para jantar fora ou para um café, por uma simples razão: gostamos de estar com eles. O amigo, o bom amigo está sempre presente nos piores e melhores momentos da nossa vida. E ainda que ausente, estará sempre presente em nós. Se um dia a família nos falta, o bom amigo adota-nos como se fossemos um dos seus.
É por isso que vale a pena esperar o tempo que for preciso para fazer um bom amigo. Alguns amigos precisam de mais tempo para entender o bem que a nossa amizade faz ao outro. Outros descobrem logo ao primeiro contacto. Há empatias que se desenvolvem inexplicavelmente por pessoas que vimos uma vez na vida só. Pode ser devido a reações químicas que ocorrem invisíveis aos nossos olhos. Ou simplesmente pode estar ligado à disposição do outro em receber-nos. Não é por acaso que algumas pessoas têm mais facilidade em fazer amigos do que outras. Isto faz-me pensar que a amizade exige alguma pré-disposição de ambas as partes. Não pode ser forçada, tem que surgir naturalmente. Não deve ser planeada, mas sim estimulada. Devemos estar prontos para nos dar e para receber também. De repente pode surgir uma forte e profunda amizade com alguém que nunca esperámos. Ou podem surgir momentos de tal intensidade vividos em conjunto, que estabelecemos uma relação com o outro que se perpetuará ao longo da vida, ainda que não nos voltemos a ver.

A amizade cultiva-se. E tudo o que se cultiva, tem que ser regado para poder crescer e dar frutos. Algumas árvores levam anos a crescer e geralmente são as que melhores frutos dão. Para isso é preciso ter a paciência de regar o tempo que for preciso, na medida certa. Sem pressão e sem exigências. Somente porque sentimos que vale a pena um dia ter a atenção daquela pessoa, num momento, só para nós.

E então? Há flores para regar no seu jardim?

Andreia Pitta-Groz

Friday, August 23, 2013

Ser ou Parecer?!

Deixem-me partilhar com vocês uma ideia de vida...



Esta semana estava a conversar com uns amigos e falávamos de como reagiríamos nós numa situação limite, numa situação em que a nossa vida ou bem-estar fosse posta em causa…numa situação em que a nossa família e/ou  quem amamos, estivesse dependente da nossa ação, da nossa decisão…

Imagina que estavas no cinema a ver aquele filme com a pessoa que mais amas, de repente acontece um tremor de terra, as paredes começam a abanar, vês cair bocados de caliça, cimento e tijolos, o teto começa ranger e vês bocados de pedra a partir-se… o que fazias?…Salvavas-te a ti, à pessoa que amavas, aos que estavam ao teu lado…como agias?

 Surgiram várias ideias, éramos sete e sete ideias apareceram. Curioso, todos tinham uma ideia comum, a de que, nos momentos difíceis nós crescemos. 

É fácil darmos opiniões enquanto não passarmos pela realidade dos factos, enquanto nos continuarmos a situar no planeta do…Supõe Que?  Não chega.

Boa, uauau e isso resolve o quê?

Eu não concordei. E não concordo. 



Claro que crescemos nas situações desafiantes, nas situações limites, nas situações fora do comum, porque a seguir vamos rever tudo o que aconteceu de forma a que de uma próxima vez a nossa ação esteja alinhada com aquilo que somos, ou pensamos que ser.

O que eu acredito…e esta é a minha opinião, é que em situações limites nós revelamos o que somos, não o que queremos ser, revelamos o nosso ser mais íntimo.
Crescemos, depois… não no desafio…

 Os nossos valores ditam a nossa essência e a nossa postura!

Quais são os teus valores? Sabes? E como estão ordenados? Claro que existem uns mais importantes que outros.

Na próxima semana vamos propor-te um exercício para identificares de forma clara o que te faz agir…os teus valores e a forma como estão ordenados…

Mais sobre os meus artigos em http://carlosmmramos.com/artigos/
Comentem...discutam...dêem ideias...Amigos,  façam acontecer, mexam-se, precisamos de atitude...sim atitude coache ou não coatche...mas participem e façam acontecer!

Tem uma semana fantástica!

Saturday, August 17, 2013

Era Uma Vez...




Começavam assim todas as histórias que a minha avó me contava quando eu era pequenina. E para mim eram como que um sinal, algo que me fazia estar desperta e atenta.

Hoje, a história repete-se quando oiço falar de Coaching…

Talvez por fazer esse ligação tenha sentido como importante a criação deste blog, como ponto de partilha e de registo para as muitas experiencias fantásticas que a utilização desta ferramenta nos trás. Ferramenta que somos nós próprios, coaches convictos da força que a palavra do outro pode ter na superação dele mesmo e no sucesso que se obtém quando se tem um foco bem definido no nosso bem-estar e felicidade plena.


Era, então, uma vez um homem que vivia perto da vila onde trabalho e tinha dois burros e uma carroça para trazer diariamente ao mercado os produtos hortícolas que cultivava. Mas era uma “guerra” diária com os animais porque a vereda por onde tinham que cruzar os campos estava cheia de erva fresca nas bordas. E cada burro tendia a parar e comer a erva fresca, tornando o tempo de caminho muito maior e cansativo para o pobre agricultor. Um dia ele encontrou a solução. Partiu o fundo de duas garrafas de vidro verde e fez dois pares de óculos. E os burros passaram a conhecer o seu caminho porque o verde estava bem à frente deles… 




Proponho que consigamos transformar este blog num ponto de acesso ao debate construtivo e animado sobre a filosofia, princípios de atuação, formas de aplicação em diferentes contextos e metodologia de suporte.

Quem manda mais histórias? Mesmo as conhecidas de uns são novas para os outros…
  
Bom trabalho para todos.
Manuela Maldonado Redol